quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Daddy Cool
No princípio, quando o empreiteiro criou o tecto falso e o pavimento flutuante, o tijolo era oco e refractário, o deslustre era profundo e a metrossexualidade do designer é que fluía de forma legal. Por ele é que tudo começou a existir: os holofotes, o varão, a pista, a bola de espelhos, a dança e as lantejoulas, porque ele viu que tudo isto era massa. E o brilho era tão dinâmico, atmosférico e claro que se tornava impossível negá-lo. Nessa altura, o êxtase era comum, a surpresa constante, a transformação irresistível da dança à boca-de-sino.
E eu sou o Outro
E sonho engravidar ouvidos
com silhuetas de girassóis
porque não são x ou y
São A priori
como o sinal da televisão
nas ecografias da transcendência
Na era da razão
nos astrolábios da ciência
nus planaltos turquesa
porque não são x ou y
São A priori
como o sinal da televisão
nas ecografias da transcendência
Na era da razão
nos astrolábios da ciência
nus planaltos turquesa
Nas vertigens,
que só nossa fé faz virgens
nos anjos
DEUS É EMPLASTRO
Uma criança morre
inocente,
esquecida no futuro
porque não sonha
o presente
E diz que o átomo
foge,
destilado do retrato
mal passado
e abstrato
esquecida no futuro
porque não sonha
o presente
E diz que o átomo
foge,
destilado do retrato
mal passado
e abstrato
AH! MAS,
AS HORAS SÃO O QUE SÃO
E TU ÉS O QUE ÉS
AS COISAS NÃO SÃO O QUE NÃO SÃO
E TU NÃO ÉS QUEM NÃO ÉS
Há, mas
há coisas que se parecem
com o que não são
Coisas que rimam com coisas
em fronteiras metafísicas
que separam o inseparável
no tempo
e no espaço
HÁ, MAS
NÃO SÃO VERDES
NÃO SÃO VERDES
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